PORTUGUÊS LÍNGUA PLURICÊNTRICA: DAS POLÍTICAS ÀS PRÁTICAS

O português é hoje língua (co)oficial de nove países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – e da Região Administrativa Especial de Macau. Em convivência com várias outras línguas nesses países e presente em diferentes esferas sociais e em níveis de proficiência diversos, o português pode ser caracterizado como uma língua pluricêntrica, usada em vários centros interatuantes e apresentando normas nacionais próprias em cada um desses contextos.

Assumir a dimensão pluricêntrica da língua portuguesa do ponto de vista político-diplomático e do ponto de vista técnico demanda reflexões críticas sobre a valorização de diferentes variedades linguísticas, da preferência por determinados repertórios linguísticos para a participação cidadã, local e global, e para a gestão de ações linguísticas e educacionais em âmbitos nacionais e internacionais. Abarcando contextos em que a língua é aprendida como segunda, estrangeira, de herança ou de acolhimento, o português é, na perspetiva do aprendente, uma língua que se adiciona ao repertório que já possui, possibilitando-lhe ampliar as oportunidades de participação em práticas sociais que acontecem nessa língua.

De acordo com o International Bureau of Education (IBE), instituto da UNESCO especializado em conteúdos, métodos e estruturas educacionais, a adoção do termo ‘língua adicional’, em vez de outros termos como ‘segundas línguas’ ou ‘línguas estrangeiras’, ocorre por várias razões:

Os estudantes podem na verdade estar aprendendo não uma segunda, mas uma terceira ou quarta língua. ‘Adicional’ se aplica a todas, exceto, claro, a primeira língua aprendida. Uma língua adicional, além disso, pode não ser estrangeira, já que muitas pessoas no seu país podem falar essa língua rotineiramente. O termo ‘estrangeiro’ pode, com efeito, sugerir estranho, exótico ou, talvez, alheio — todas essas conotações indesejáveis. Nossa escolha do termo ‘adicional’ sublinha o nosso entendimento de que línguas adicionais não são necessariamente inferiores ou superiores, nem substitutas para a primeira língua de um estudante. (ELLIOT et al, 2001, p. 6)

Com a criação do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP, 1989) e, posteriormente, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP, 1996), a língua portuguesa foi definitivamente assumida pelos Estados de língua portuguesa como património comum, fator de congregação de vontades e destinos. A partir de 2010, ano em que foi firmado o Plano de Ação de Brasília, ao pluricentrismo aliou-se a vontade de adotar uma gestão supranacional das políticas para a língua portuguesa, partilhada por todos os Estados em igualdade de circunstâncias, da responsabilidade do IILP. Dois grandes projetos, entre outros, conformam esta nova consciência de pluricentrismo e gestão partilhada: o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC) e o Portal do Professor de Português Língua Estrangeira (PPPLE ).

Num momento em que se avalia o crescente valor económico do português[1] e em que os decisores políticos consagraram o português como língua pluricêntrica, importa saber em que se consubstancia o pluricentrismo, o que ele significa para os seus falantes, que implicações  traz para a investigação linguística e literária, para a formação de professores, para as práticas de ensino e para possíveis acordos entre sistemas de avaliação. Estes são debates centrais e estratégicos para a formação dos profissionais em língua portuguesa, e o III SINEPLA “Português língua pluricêntrica: das políticas às práticas” propicia uma oportunidade de convivência e troca de ideias para a reflexão sobre esses temas.

– formação de professores de português como língua adicional (PLA);

– ensino e avaliação de PLA em diferentes contextos;

– produção de materiais e recursos didáticos de PLA, presenciais e online;

– ensino de tradução, culturas e literaturas de países de língua portuguesa;

– políticas e iniciativas de promoção, projeção e difusão do português e de culturas dos países de língua portuguesa;

location-icon

LOCAL

Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Largo da Porta Férrea

3004-530 Coimbra

Portugal
www.uc.pt/fluc

CONTATOS

sinepla.contato@gmail.com

www.facebook.com/sinepla

www.twitter.com/Sinepla

back to top